Do erro a maquina 0, (relato pessoal recente que talvez voces gostem….)

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Na época, eu tinha 19 anos e decidi deixar meu cabelo crescer desde o final de 2022. Queria experimentar coisas novas, afirmar minha identidade como mulher trans e me sentir mais aceita na sociedade como mulher. Para minha surpresa, meu cabelo estava crescendo muito bem, revelando cachos suaves que eu nunca havia percebido antes. Eu comecei a gostar do resultado, pois as pessoas passaram a me enxergar de uma forma mais alinhada com quem eu realmente era, deixando de me ver apenas como um homem.

Um belo dia, enquanto passeava pelo centro, avistei uma escola de beleza que chamou minha atenção. Uma placa no exterior anunciava “corte de cabelo feminino gratuito”. Decidi entrar e fui recebida pela recepcionista, que também era uma das principais professoras do local. Ela me perguntou se eu gostaria de marcar um horário para o corte e sugeriu que eu fosse modelo para os alunos da barbearia. No entanto, por ter uma preferência por cabeleireiras e barbeiras, optei por ser cliente de uma das alunas cabeleireiras da escola.

Durante o atendimento, a cabeleireira me fez algumas perguntas sobre minha identidade e minha família, querendo saber se eles me aceitavam e me respeitavam. Respondi que, embora me respeitassem, ainda me chamavam pelo meu nome de registro em vez do nome que escolhi para mim mesma. Conversamos sobre diversos assuntos, fui ao banheiro da escola, me despedi e voltei para casa, um tanto cansada por ter acabado de voltar de Tatuí, minha cidade natal, para Piracicaba.

Os dias passaram e eu estava cada vez mais ansiosa para o dia do corte. Eu tinha um fetiche por cabelos raspados, máquinas 0 e mulheres com a cabeça raspada. Sonhava em ter a oportunidade de uma mulher me pedir para raspar sua cabeça e, juntas, cortarmos nossos cabelos. Já havia cometido algumas pequenas falhas no meu cabelo, fruto de momentos de puro êxtase por causa desse fetiche, mas elas eram pequenas o suficiente para serem corrigidas à medida que meu cabelo crescesse. No entanto, naquele momento, eu queria que essas falhas fossem corrigidas de forma mais definitiva, para que o crescimento ficasse uniforme. Na véspera do corte, coloquei minha máquina de cortar cabelo na mochila, juntamente com os pentes, caso a cabeleireira não tivesse uma disponível.

Finalmente, chegou o dia do corte. Encontrei a cabeleireira na porta da escola, conversamos um pouco e subimos para iniciar o processo. Expliquei que gostaria de corrigir as falhas e deixar o cabelo com um corte uniforme. Não mencionei que tinha uma máquina de cortar cabelo na mochila. A cabeleireira e sua professora sugeriram que fizéssemos uma hidratação no meu cabelo, pagando apenas pelos produtos, e um corte para acertar o tamanho. Concordei com a sugestão e começamos.

Durante o corte, a cabeleireira cometeu o erro de usar o pente para cortar a parte de trás do cabelo, mesmo tendo usado os dedos para medir o restante. Por sorte, o cabelo ficou com uma aparência uniforme devido ao estilo que escolhi. Ao finalizar o corte, descemos até a recepção, agradeci pelo corte, me despedi e retornei para casa.

Ao tomar banho em casa, percebi a grande diferença de comprimento entre a parte de trás e o restante do cabelo, o que dificultaria meu processo de crescimento. Fiquei frustrada com essa situação e percebi que não teria outra opção além de cortar ainda mais curto. No início, pensei em cortar com a tesoura, deixando-o bem baixinho, mas logo percebi que não seria possível devido ao comprimento do cabelo na parte de trás da cabeça.

Os dias se passam e eu, em uma ocasiao, converso um pouco com o meu colega, que estava me devendo um corte, quando iria vir para a cidade para que pudessemos cortar o cabelo juntos, ele nao me responde a tempo e eu, impaciente, decido ir a uma outra escola de beleza, mas em uma que ja tinha ido algumas vezes antes e que sempre tive um resultado muito bom (muitas vezes muito
semelhante ao profissional). Chegando lá, perguntei sobre o corte de cabelo masculino e acabei agendando um horário com uma barbeira para a próxima segunda-feira, às 10 horas.

Em casa, percebi que, para corrigir definitivamente o cabelo, seria necessário usar a máquina 2 em todo o comprimento. No entanto, a diferença entre a máquina 2 e a 0 era mínima, e como eu planejava deixar o cabelo crescer novamente, decidi raspar tudo na máquina 0.

Chegou o tão esperado dia do corte. Caminhei até a escola, a recepcionista confirmou meu horário e me indicou o caminho para a barbeira. Enquanto subia as escadas, uma simpática moça me cumprimentou e pediu que eu a esperasse para que ela pudesse me direcionar à barbeira. Juntos, seguimos até o local onde a barbeira estava.

Ao chegar, fui cumprimentada pela barbeira, que já tinha a capa de corte em mãos. Ela perguntou meu nome e o que eu gostaria de fazer com meu cabelo. Enquanto eu explicava, ela colocou a capa em mim e prendeu uma faixa de papel em volta do pescoço para evitar que caísse cabelo ali. Com firmeza, afirmei que queria raspar completamente o cabelo e as sobrancelhas na máquina 0. Como eu estava lá como modelo, propus que ela experimentasse algum corte em mim antes, como oportunidade de treinamento. Ela adorou a ideia do corte radical e decidimos começar raspando, como eu desejava. Antes de começarmos, pedi para tirarmos algumas fotos para postar no Instagram. A barbeira se ofereceu para tirar as fotos, o que resultou em ótimas imagens com a capa de corte, prontas para o corte (se eu quisesse me satisfazer, aquela foto seria um aperitivo, rsrs). Também perguntei se ela já trabalhava com navalha e se poderíamos raspar minha cabeça com a lâmina para obter um resultado mais suave. Ela concordou e sugeriu usar a máquina shaver, que teria o mesmo efeito e reduziria o risco de irritar a pele. Confirmou com seu professor, mencionou que eu já havia ido lá para fazer “só o pezinho” e questionou minha decisão de raspar tudo. Eu reafirmei minha escolha e, em seguida, ela ligou a máquina e começou o corte, começando pela parte de trás da cabeça. Nesse momento, senti uma mistura de nervosismo e excitação, pensando em pedir para ela parar e passar a máquina no meio da cabeça para ter certeza de que ficaria totalmente careca, mas acabei não dizendo nada. Ela continuou a raspar, passando para os lados esquerdo e direito e, em seguida, pela parte de cima da cabeça. Rimos quando ela destacou a diferença que o corte estava fazendo. Ao finalizar a raspagem, ela perguntou se deveria raspar também as sobrancelhas e, como eu não tive reação, ela começou a passar a máquina sem hesitação, deixando uma falha irreversível até a metade das sobrancelhas. Percebi que não tinha mais volta, mas deixei-a raspar completamente as duas. Em seguida, ela utilizou a máquina de acabamento para raspar as áreas que a outra máquina não havia alcançado devido à sua altura. Por fim, começou a passar a máquina shaver. Durante o corte, ela compartilhou o desejo de também raspar a própria cabeça, mas mencionou que gostaria de fazer dreads antes, pois estava curiosa. Eu a apoiei na ideia e expliquei que muitas mulheres faziam isso, aproveitando a oportunidade dos dreads para, posteriormente, rasparem completamente o cabelo. Quando chegou na metade da raspagem, perguntei se a lâmina deixaria a cabeça com um aspecto mais brilhante e sem as pontinhas de pelos que só são perceptíveis ao passar a mão no sentido contrário do crescimento dos fios. Ela fez uma demonstração, raspando uma pequena parte do meu cabelo com a navalha. No entanto, percebi que ela não tinha muita prática com a técnica e que o resultado não era tão bom quanto o esperado. Decidimos, então, usar a máquina shaver, que proporcionaria um efeito brilhante e liso de maneira mais eficiente. Após alguns minutos e várias trocas de máquinas shaver, terminamos o corte. Pedi uma foto com ela, o professor nos ajudou, tirei uma selfie também e pedi seu Instagram para poder segui-la e conversar mais sobre o assunto.

Saí de lá sentindo-me realizada, não apenas por ter ganhado um corte de cabelo, mas também por ter conhecido alguém com ideias e desejos semelhantes aos meus, com uma mente aberta e experiências de vida. No mesmo dia, convidei-a pelo chat do Instagram para o meu aniversário e agora estou aguardando sua resposta. Apesar de nossa breve conversa, percebi que ganhei não apenas um novo visual, mas também uma nova amiga. Já agendei um novo corte para a próxima segunda-feira, logo após o fim de semana do meu aniversário. Vou raspar o que tiver crescido e depois deixarei o destino decidir por quanto tempo manterei o corte ou deixarei o cabelo crescer novamente rsrs.

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